segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ANTÁRTIDA ESTA MAIS VERDE DEVIDO AO AQUECIMENTO GLOBAL

Antártida está mais verde devido ao aquecimento global

May 19, 2017
A Antártica está ficando mais verde devido aos efeitos do aquecimento global, afirmam cientistas num estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista especializada Current Biology.O aumento da temperatura teve um efeito dramático no crescimento de musgos no extremo norte da Península Antártica, disse um dos autores do estudo, o cientista Matt Amesbury, da Universidade de Exeter, na Inglaterra."Se isso continuar, e por causa da área crescente de terra livre de gelo por causa do desaparecimento das geleiras, a Antártida será mais verde no futuro", acrescentou o pesquisador.

Há quatro anos, os pesquisadores britânicos verificaram mudanças sem precedentes nos musgos do extremo sul da Península Antártica. Segundo Amesbury, o novo estudo mostra que o fenômeno ocorre em toda a península, que é a parte mais setentrional da Antártida e fica relativamente perto da América do Sul.Amesbury e seu colegas analisaram amostras de solo coberto por musgos, recolhidas nas ilhas Elefante, Ardley e Green, numa distância de 640 quilômetros. Nessa região está a camada de musgos mais grossa e antiga da Antártica, que só tem 0,3% de cobertura vegetal.As amostras permitiram aos cientistas entender melhor a evolução do clima na região e o crescimento das plantas nos últimos 150 anos.

A análise mostrou que o crescimento claramente se acelerou nos últimos 50 anos.A Península Antártica é uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global. A temperatura média no continente subiu 0,5 grau Celsius por década desde os anos 1950. Chuvas e ventos são mais frequentes hoje.O diretor do projeto de pesquisa, professor Dan Charman, disse que os ecossistemas na Antártica vão se alterar profundamente com a constante elevação das temperaturas. "Vamos observar como a Antártica vai se tornar cada vez mais verde, a exemplo do que já observamos no Ártico", disse.

Reportagem do G1

O BRASIL PODE PERDER ÁREA DE CONSERVAÇÃO DO TAMANHO DE PORTUGAL

Brasil pode perder áreas de conservação ambiental do tamanho de Portugal

May 19, 2017

 

Quase 80 mil km², o equivalente ao território de Portugal, de Unidades de Conservação (UCs) no Pará, no Amazonas e em Santa Catarina estão ameaçados, revelou nesta quarta-feira (17) relatório da ONG ambiental WWF Brasil. Trata-se de parques nacionais, reservas biológicas e florestas nacionais.

“O perigo vem de uma medida provisória, editada pelo governo federal, no final do ano passado, e que, ao chegar ao Congresso Nacional, sofreu pioras consideráveis. O governo federal havia previsto cerca de 300 mil hectares a menos de UCs no texto original da medida provisória. Esse texto, quando chegou à comissão mista do Congresso, piorou quatro vezes. Chegou a constar uma redução de mais de 1,2 milhão de áreas protegidas”, explica Michel de Souza, coordenador de políticas públicas da WWF Brasil em entrevista à RFI.

O texto aprovado na Câmara dos Deputados na noite da terça-feira (16), apesar de ter minimizado a perda em 50%, ainda é considerado um problema. "São aproximadamente 600 mil hectares de áreas protegidas brasileiras que ficarão abertas à especulação imobiliária, à grilagem de terra, à exploração mineral e a uma série de problemas que teremos a partir da aprovação final dessa medida provisória."

As áreas afetadas no texto aprovado pelos deputados ficam no oeste do Pará. A medida modifica os limites do Parque Nacional do Rio Novo e da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, deixando 37% da zona vulnerável. Também reduz o Parque Nacional (Parna) de Jamanxim para abrir espaço às obras da ferrovia Ferrogrão, paralela à BR-163, ligando o Centro-Oeste ao norte do Pará, "colocando a Amazônia cada vez mais perto de seu definitivo esquartejamento", diz a WWF Brasil.

Anulação das áreas protegidas

O relatório da ONG também critica o projeto de lei 3751, em tramitação no Congresso, que torna caducos todos os atos de criação de UCs se os proprietários privados não forem indenizados em até 5 anos. “Essa proposta visa enfraquecer o sistema nacional de UCs, obrigando que o estado brasileiro indenize proprietários que tenham alguma benfeitoria a ser reivindicada. É terrível, é um passo atrás. Imagine isso em um país que passa por uma fase de austeridade, com os estados com problemas financeiros. É uma crueldade com o meio ambiente”, afirma Michel.

Para demonstrar o impacto dessa medida, a ONG cita no relatório o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que calculou em 56 mil km² a extensão de terras privadas ainda não indenizadas no interior de UCs federais. Porém o número poderia chegar a 100 mil km², segundo o próprio instituto.

“Caso aprovada, a proposta representaria o desaparecimento de aproximadamente 10% das áreas protegidas em UCs, que somavam, em agosto passado, 788 mil km² - ou seja, 10% do total de territórios protegidos", diz o texto. O relatório da WWF Brasil cita que "as medidas que visam a redução de áreas protegidas fazem parte de uma grande ofensiva da bancada ruralista e do governo Temer, que pretende restringir direitos garantidos pela Constituição Federal e enfraquecer a legislação ambiental". "Para isso, foi criado um movimento de resistência contra esse pacote de retrocessos, que conta com o apoio de mais de 140 organizações e movimentos sociais: #RESISTA."

Mais desmatamento na Amazônia

O relatório aponta que o impacto nas áreas protegidas pode resultar em mais desmatamento da Amazônia, com prejuízo às metas brasileiras para a redução das emissões de gases de efeito estufa na Convenção do Clima das Nações Unidas, além de implicar no desmonte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e ameaçar os compromissos assumidos pelo país na Convenção da Diversidade Biológica (CDB).
“O Brasil se comprometeu com uma série de acordos internacionais, como o de Paris, que prevê a proteção do bioma, manutenção das áreas protegidas e restauração de 12 milhões de hectares de floresta. Já a meta da CDB estipula percentuais mínimos de UCs por bioma”, afirma o coordenador.

Para Michel, a aprovação de leis que reduzem as áreas de proteção ou que mudem a sua categoria, “sinaliza e permite que aqueles que invadiram unidades já consolidadas, que desmataram em áreas que não são permitidas, continuem impunes”. “Deixaremos de ter o escudo natural, que impede o desmatamento.”

No final da década passada, o sistema nacional de UCs colocou o Brasil na posição de líder mundial em extensão de áreas protegidas. “Atualmente estamos testemunhando um retrocesso. O Arpa era reconhecido mundialmente como exemplo de conservação ambiental. Sem dúvida, a situação atual é muito preocupante.”

A WWF Brasil pretende pressionar o Senado para tentar minimizar os danos. “Vamos resistir, escalar uma iniciativa junto aso senadores. Vamos levar isso até a solicitação do veto do presidente. Em último caso, entraremos com processos na Justiça.”

Reportagem da RFI Brasil

O AQUÍFERO GUARANI


Aquífero Guarani: como se formou esse imenso oceano que está sob nossos pés?

May 19, 2017
Abaixo da superfície de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai há um oceano enorme. O nome dele já é bastante conhecido, inclusive: trata-se do Aquífero Guarani, um sistema de reservatórios de água subterrânea cuja área é maior que 1 milhão de quilômetros quadrados, e a quantidade de água equivalente a 45 mil quilômetros cúbicos.
Durante muitos anos, o Sistema Aquífero Guarani (SAG) foi considerado o maior do mundo - e ainda hoje figura entre os mais volumosos do planeta. No Brasil, ocupa as áreas dos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

O que é o Aquífero Guarani?

 

O vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP Ricardo Hirata explica que um aquífero é um grande reservatório de água localizado sob a superfície dos continentes. Se forma nos poros dos sedimentos e das rochas que os compõem e corresponde a aproximadamente 97% de toda água doce e líquida do planeta - não considerando oceanos e geleiras. “Se você observar um copo preenchido completamente com areia comum de praia, você conseguirá colocar uns 15% a 35% do volume do copo em água”, compara o professor Hirata. “Estas águas ou estão subterrâneas ou contidas dentro de um material geológico, como a areia no copo”.

A forma como a água se aloca neste reservatório subterrâneo é determinante para definir a produtividade de um aquífero. E o mais importante, neste caso, não é a água, mas a rocha. É o tipo de rocha que define a capacidade do aquífero de receber mais ou menos água e também a profundidade que os poços podem atingir.

“Um aquífero poderá fornecer água indefinidamente se as extrações forem inferiores à recarga. A produção de um poço perfurado no aquífero irá depender se a rocha é mais ou menos permeável. Assim, um bom aquífero será aquele que tem boa recarga e uma boa permeabilidade”, esclarece o professor.


Como se forma?

 

A formação de um aquífero se dá em pelo menos dois momentos. A primeira etapa é a criação do arcabouço geológico ou do espaço poroso resultante da sedimentação da rocha. A segunda, naturalmente, é o preenchimento desse espaço com a água.

“No caso do Sistema Aquífero Guarani, a criação do espaço poroso é muito mais antiga e relaciona-se à deposição de seus sedimentos em um ambiente desértico de grandes dunas. Ao longo do tempo, esses sedimentos, quando aflorantes na superfície, receberam água da chuva, que lentamente foram se infiltrando e percolando pela rocha, preenchendo os seus espaços vazios, os poros”, explica Ricardo Hirota.

Essa água que se infiltra e compõe o aquífero não fica parada. No subterrâneo ela também se movimenta (pode variar de metros por dia a metros por ano). Isso significa que em todos os casos de aquífero, há uma área de descarga dessa água, geralmente em rios de superfície.

Conhecido desde o século XIX, descoberto em 2003

 

As unidades geológicas que compõem o sistema já são conhecidas pelos pesquisadores desde o fim do século 19. O professor de geologia explica que, no estado de São Paulo, o Guarani era conhecido como Aquífero Botucatu-Piramboia - que são os nomes dessas formações.

Sabia-se que havia enorme potencial no reservatório de água, mas somente a partir de 1996 que as pesquisas avançaram para entender o real tamanho do aquífero, mapear todas as unidades geológicas e conferir se estariam conectadas. Em 2003, constataram, enfim, o que conhecemos hoje como o Aquífero Guarani. O nome foi uma homenagem às populações indígenas que viveram ao longo de sua região.

 

A água é potável?

 

A confirmação de que, de fato, havia uma conexão entre todos reservatórios subterrâneos do Uruguai ao Mato Grosso, do norte da Argentina à quase a costa de São Paulo gerou uma expectativa enorme em relação ao potencial de captação de água potável - chegou-se a dizer que seu armazenamento de água supriria o consumo mundial por até 200 anos.

“Esperava-se que o Guarani fosse tão produtivo como se observa na sua porção norte, mas o que se descobriu é que no sul ele se torna mais compartimentado em blocos, devido a falhas geológicas, e sua permeabilidade se reduz. Assim, o SAG é um grande sistema, mas infelizmente não é altamente produtivo em toda a sua extensão”, afirma o pesquisador.

Essa heterogeneidade é também nítida quanto à qualidade da água. Na grande maioria do sistema, a água apresenta baixa salinidade e é potável, embora em alguns pontos tenha problemas de contaminação por flúor. Nas porções que são território argentino e uruguaio, há áreas extensas de alta salinidade e, portanto, de água não propícia para o consumo.

O maior do mundo?

Quando foi descoberto todo o alcance do SAG, logo recebeu o título de maior aquífero do mundo. Não é bem uma verdade. “A questão do maior é difícil de definir, pois um aquífero pode ser maior em extensão, em volume etc.”, justifica o professor. Hoje, há evidências suficientes para apontar dois aquíferos como os maiores do mundo, considerando tamanho ou quantidade de água. O Great Artesian Basin ocupa 1,7 milhão km² na Austrália e tem estimativa de 65 mil km³ de água. E o africano Nubian Sandstone, que passa por territórios de Egito, Chad, Líbia e Sudão reina como o maior de todos: 2 milhões de km² de área e, estima-se, 150 mil km³ de água.

O maior de todos, contudo, pode também estar aqui no Brasil, e não se trata do Guarani. O aquífero cujas mais recentes estimativas indicam como o maior reservatório de água do planeta é o SAGA, Sistema Aquífero Grande Amazônia. Anteriormente conhecido como Aquífero Alter do Chão, o reservatório ocupa uma área aproximada de 1,3 milhões de km², entre Amapá, Pará, Amazonas e Acre, e sua capacidade hídrica seria de 162.520 km³, de acordo com informações da Universidade Federal do Pará.

“Sem entrar em discussão se ele é maior que o SAG ou mesmo que o aquífero australiano ou o africano, é necessário um estudo profundo para se ter uma ideia de suas dimensões em área e volume de água armazenada e sobretudo quanto desta água é aproveitável”, analisa Ricardo Hirota. “A vantagem do SAG é que está onde mais se precisa de água, no Sudeste e Sul brasileiros [porque têm populações mais densas]”.

 

Haverá privatização?

 

Há anos correm boatos de que haveria um movimento de privatização do Aquífero Guarani. Para o professor Ricardo Hirota, especialista em águas subterrâneas, a hipótese é muito pouco provável. “Por que comprar o aquífero? É muito mais fácil para o usuário requerer o uso para os órgãos competentes e ter a água, sem desgaste político ou problemas na imagem frente à sociedade brasileira. Mas caso uma indústria peça a outorga de uma grande quantidade de água em uma área muito grande, tentando criar uma reserva de água, tal medida seria inócua, pois primeiro tais autorizações tem tempo limitado e, caso haja disputa de uso entre o privado e o abastecimento público, por exemplo, este último teria prioridade perante a lei”, argumenta.

Para Hirota, o principal problema que o aquífero sofre é a exploração ilegal e sem fiscalização. Ele reclama que os órgãos de estado responsáveis são poucos eficientes e têm controle bastante falho, o que permite que ocorra a perfuração de muitos poços clandestinos.
Hoje, a lei que regula a exploração e explotação das águas subterrâneas é de cada estado da União, que tem soberania para administrá-las ou outorgar o uso para gerenciamento privado. Para haver possibilidade de compra, seria necessário mudar a Constituição vigente.

Escrito por: Luiz Felipe Silva 
Reportagem do Portal VIX
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